Momento de Sanidade

velho_homem_900x600_lead[5]Caminhava lentamente entre as pessoas, murmurava coisas ininteligíveis, rezas, alguma ladainha. Trajava uma túnica preta, os pés descalços. Esbarrou, de propósito, em um menino que estava em uma cadeira de rodas, fazendo-o cair.
– O que você fez? – gritou a mãe desesperada.
O velho abaixou-se, ignorando a mulher, e sussurrou no ouvido do menino:

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Verde como o céu

Ontem quando ouvi a porta bater, sabia que algo estava errado. Caio era demasiado calmo para provocar furacões. Pensei em estabelecer diálogo de imediato, mas depois de uma pausa, julguei ser melhor esperar. O tique taque do relógio costuma ser um grande conselheiro, como se a cada segundo vivido, despertasse em nós uma gota extra de sensatez. A fúria sempre pareceu-me um rato, arma-se em gigante quando corre por um pedaço de queijo, mas desmancha-se em fragilidade quando apanhada na ratoeira. Esperar, no entanto, nem sempre se rebenta em sabedoria. Há quem passe toda a vida à espera enquanto tornamo-nos apenas mais novos para a morte. Morri com Caio naquele dia. Continuar lendo