Bluemoon

 “Nenhum vampiro fica sem terminar o serviço, ninguém escapa ileso.”

Um caminho alternativo para quem vai de Moonville para a cidade de Blueberry, na Pensilvânia, – e vice e versa – é a rodovia Bluemoon.  Devido suas curvas perigosas essa rodovia passou a ser evitada até pelos mais experientes e corajosos motoristas, principalmente em dia de chuva.

O mais curioso nos acidentes é que eles sempre ocorrem em noites de chuva e perto do posto Bluemoon – ou pouco antes, ou pouco depois, suas vítimas somem e ficam somente os carros vazios que a polícia leva pra perícia, que às vezes, consegue identificar as vítimas. Os corpos nunca são encontrados.

Ninguém nunca descobriu o que realmente acontece, até tentaram incriminar os donos do posto, mas não tinham evidências para tal. Continuar lendo

O Encontro

 

Sexta-feira, noite de lua cheia na pequena Greenville, Pensilvânia. As casas acesas, as pessoas na rua, o bar do Bill lotado. Podiam-se ouvir as risadas dos beberrões que já tinham passado do limite. Sentia-me estranha, tinha uma sensação de que algo ruim estava para acontecer.

Experimentei olhar a lua, para esquecer. Linda, gorda e amarela. Hipnotizei-me por alguns instantes.

De repente, escuto barulhos se aproximando, me tiraram do transe. Entre os galhos das árvores, atrás de mim, sai um casal. Reconheci o garoto, Joe Schmied, lembro-me dele pequeno, vinha sempre aqui com seus pais e irmãos, para brincarem durante horas. Continuar lendo

|Micro Conto| Refeição Rápida

Podia sentir o cheiro de sangue, que aguçava mais sua fome. Ia em direção a fonte, feito um trem bala.

Um rapaz estava ferido, fora baleado, provavelmente vítima de um assalto.

– Me ajude. – falou com a voz fraca e desmaiou.

– Claro – respondeu com um sorriso diabólico.

Mordeu o pescoço e drenou o que restava de vida, parte de sua fome estava saciada. Limpou a boca, jogou o corpo sobre os ombros e desapareceu na escuridão.


Autora: Milly Pellegrini

A mais curta história de ficção científica – VIII

atomoHavia um mundo em que os pares nunca se separavam, não importava o motivo. Eles haviam nascido um para o outro e tinham orgulho disso. Não sabiam (e nem queriam descobrir) como era se afastarem.
Em certo período de tempo, uma força superior aproximou-se perigosamente de seu mundo e proclamou-se dona de seu conhecimento e padrões desconhecidos. Aquela força fez experiências intermináveis utilizando sua extraordinária inteligência. Descobriu muitas coisas, até que cometeu o mais grave de todos os erros. Utilizando um processo trabalhoso resolveu separar aqueles pares.

Continuar lendo

Liberdade

5011547

– E aí? Quanto falta para chegarmos? – Rafael resmungou no banco traseiro.
– Ah para de ser chato. Aproveita a viagem. – Thiago retrucou.
– Não falta muito, segundo o GPS. – falei aborrecida. Queria chegar na fazenda tanto quanto eles.
– Lilian, acho que estamos perdidos. –  Marina estava preocupada.
– Não, não estamos. – falei em um tom mais ríspido dando por encerrada aquela conversa. Aumentei o volume do rádio que tocava “Highway to hell” e ninguém falou mais nada. Pedro nem se manifestou.

Continuar lendo

Alice se foi

sad_anime_111A cacofonia dos sons noturnos da grande cidade distraia os transeuntes que passavam pelas ruas madrugada afora. Mas um murmúrio chamou a atenção dele. Um choramingo baixo, quase imperceptível. Se sentiu atraído pelo som como uma mariposa pela cegante luz. Alguém devia estar chorando nas proximidades. O som parecia ser feminino, frágil como uma porcelana . A parca luz proveniente dos postes de iluminação não era tão propícia para a busca que o homem desejava realizar. Continuar lendo